• 20/07/2018
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  • POR Polifrete

Como será  o setor de transporte rodoviário nos próximos anos?


Desde as décadas mais antigas, até o momento atual, dependemos diariamente do
transporte rodoviário para entregar cargas. No Brasil, essa operação tem características em que seu presente é determinado fortemente pela infraestrutura e iniciativas do passado. Para você entender melhor o Blog Polifrete irá explicar o contexto histórico, o momento atual e as tendências para o futuro.

Histórico

Durante a época da colonização, o Brasil era ocupado no litoral, fazendo com que até meados do século XIX o transporte marítimo fosse o mais utilizado, junto ao ferroviário.

Surgiu em 1854, a primeira ferrovia do Brasil que ficava no estado do Rio de Janeiro. No auge do período do café, o transporte era feito por animais e foram surgindo também mais ferrovias na região Sudeste e em outras partes do país.

A partir do século XX as coisas começaram a mudar. Na época da Primeira Guerra Mundial, o Brasil começou a montar seus primeiros carros. Em 1925 o Brasil já contava com duas montadoras:  a Ford e a General Motors.

Em 1950 o transporte rodoviário ganhou mais intensidade onde diversos fatores contribuíram para isso.  Getúlio Vargas instaurou uma política nacionalista em que proibia a importação de veículos completos e de peças com produção nacional similar. Assim nesse período não foi apenas a indústria de veículos que se desenvolveu no país, mas todos os demais setores, fazendo com que o Brasil já não tivesse uma economia tão básica criando novos canais de distribuição.

Na mesma década o governo de Juscelino Kubitscheck , constrói Brasília, mostrando que era preciso se expandir a novos lugares, somando isso à política de Vargas para a criação e desenvolvimento de rodovias, o setor começou a se desenvolver rapidamente, fazendo do transporte rodoviário o modal preferido de transporte, para indústria e passageiros.

Menos de 30 anos depois as rodovias ficam sem investimentos. Na década de 90 a diminuição ou extinção dos impostos que ajudavam na manutenção e o próprio despreparo para cuidar de uma malha tão extensa colaboraram para o sucateamento das rodovias.

O Presente

O passado ajudou a compor a matriz atual de transportes no Brasil. De acordo com o IBGE, a matriz de transportes brasileira é composta majoritariamente pela opção rodoviária. Cerca de 60% de toda a carga movimentada utiliza as rodovias brasileiras para chegar ao seu destino. As ferrovias respondem por 21% e as hidrovias, por 14%. Já o aéreo responde apenas por 0,4%, devido aos altos custos e à falta de estrutura.

Mas apesar do transporte rodoviário ser o mais utilizado, considerando o porte do Brasil e suas necessidades, o transporte ainda é muito desequilibrado. As rodovias e estradas estão sobrecarregadas dificultando o cumprimento de prazos junto a outros problemas em relação à segurança, onde os roubos de cargas é uma constante preocupação. Em 2015, o prejuízo acumulado com esse tipo de roubo foi de R$ 1,2 bilhão.

Embora a falta de investimentos seja uma questão histórica, o governo brasileiro continua investindo na modernização dos modais. Em 2015 o investimento na infraestrutura de transporte foi de mais de R$ 26 bilhões. As obras se concentraram principalmente nas rodovias, de modo a torná-las mais adaptadas para as necessidades atuais. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento de todo esse sistema acontece em passos lentos, gerando o  conhecido “Custo Brasil”, pois com as dificuldades econômicas e físicas, ocorre o encarecimento dos produtos e serviços.

Evolução Tecnológica

A evolução tecnológica no transporte de cargas sempre foi muito importante para o seu desenvolvimento no Brasil. A chegada de novos recursos permite que as possibilidades sejam exploradas e que o desenvolvimento aconteça.

Os
caminhões foram se desenvolvendo e, hoje, conseguem transportar uma grande gama de produtos com necessidades diferentes. As estradas também aproveitaram a evolução tecnológica. Começaram a ser usadas novas formas de construção, de modo que elas pudessem ser mais duráveis e mais seguras. A utilização de recursos como iluminação e também câmeras auxiliou o processo.

Porém, a evolução do sistema brasileiro acontece em passos lentos. Mesmo com o sucesso no uso de tecnologia em diversos setores, quando se fala em estrutura, essas questões são mais atrasadas. Há rodovias que sequer são pavimentadas ou que não têm o mínimo de estrutura necessária para seu funcionamento. Levar isso em consideração é fundamental porque os resultados são severamente afetados.

Ao mesmo tempo, há uma importante evolução tecnológica em relação às empresas, que para tornar o transporte de cargas mais conveniente, usam cada vez mais recursos altamente tecnológicos como: rastreadores de veículos e sistemas de gestão completa, planejadores de rota, Data Science para que dados coletados sejam analisados, entre outros, que a partir do aproveitamento adequado da tecnologia, adquirem uma logística mais preparada e mais robusta, especialmente para lidar com problemas.

O Transporte Rodoviário

Sendo o meio mais popular do Brasil, ele pode ser utilizado por empresas de todo os tamanhos e segmentos, indo desde indústrias de base até comércios eletrônicos, visto que, essa modalidade de transporte pode utilizar caminhões de todos os tipos, como os que levam vários veículos ou os que carregam produtos inflamáveis.

É um modal bem conveniente, por causa da grande ligação entre estados por meio das rodovias federais e estaduais, com mais possibilidades de realizar a entrega exatamente no local desejado. Apesar disso, não é o meio mais barato pois, além do combustível e dos pedágios, há custos ligados a toda a segurança e estrutura. Porém, é o meio mais desenvolvido atualmente.


Tendências

Qual será o futuro da atividade? O que esperar do transporte de cargas?

Compreender o presente panorama do transporte de cargas é a melhor maneira para prever o que virá no futuro. Ciente das dificuldades e dos pontos que podem ser melhorados, o setor tende a se desenvolver ao longo dos próximos anos. Dentre as possibilidades, estão:

Emprego crescente de tecnologia – O desenvolvimento tecnológico não tem influência somente na construção de modais mais modernos ou mais econômicos. Ele também pode fazer parte do planejamento e execução dos transportes, de modo que seja possível ter mais visibilidade, controle e segurança. O emprego de Data Science e de inteligência artificial vai ajudar gestores a tomar as melhores decisões a respeito de como levar as mercadorias de um local para outro.

Terceirização de logística – Atualmente, as empresas ainda preferem manter suas próprias frotas e realizar o transporte por conta própria, porém essa é uma opção muito onerosa, inclusive por causa da burocracia envolvida. Para o futuro, a tendência é de que haja cada vez mais terceirização dos processos logísticos. Ao delegar essa tarefa para uma empresa de qualidade, o empreendimento pode se dedicar com mais afinco à sua atividade principal, de modo a consolidar os seus resultados. Para aprofundar nesse assunto, leia o e-book: O Guia Prático da Terceirização Logística.

2018: ano de investir no transporte – O ano de 2018 é decisivo para o Brasil. Ano para dar prosseguimento à recuperação econômica, ano de eleições, ano de implementação de reformas estruturantes e da necessidade de tomada de decisões adequadas para que o país siga o rumo certo.

Na opinião do Presidente da CNT e dos Conselhos Nacionais do SEST e do SENAT, Clésio Andrade, investir fortemente em infraestrutura de transporte é o caminho para que o país volte, de fato, a crescer.

Futuro e Inovação

A inovação e o desenvolvimento tecnológico estão mudando rapidamente a atividade transportadora. A CNT  tem como objetivo trazer para o Brasil as melhores tecnologias e ideias inovadoras que ajudarão a modernizar tanto a gestão quanto a operação das empresas e dos transportadores autônomos brasileiros. O Setor de transporte se prepara para o futuro com desafios impostos pelas novidades tecnológicas – que surgem cada vez mais rápido – demandando criatividade, experimentação e adaptação à mudança.

O mundo está mudando em um ritmo cada vez mais acelerado, não há como lutar contra esse movimento. Assim, por mais que as novidades, principalmente as tecnológicas, causem algumas incertezas, é necessário que o país esteja preparado para recebê-las, incorporá-las de forma proativa, construindo uma cultura de inovação, com estímulo à criatividade e às novas ideias. O futuro é um campo de oportunidades! Portanto é necessário definir uma visão de futuro para o transporte brasileiro e um plano de desenvolvimento para alcançá-lo.

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